24 de jul de 2014

A vida sem filtros

Não sei quando exatamente aprendemos a modificar a estética das coisas que estão à nossa volta. Talvez seja nas primeiras fotos tiradas pelos nossos pais que, carinhosamente, insistiam por um sorriso ao som de “xis”. Para eles, registro bonito é aquele forçando alegria. 

Desde pequenos entendemos que ficar em frente à parede sem reboco na hora do clique também não é algo elegante. Poses, caras e luzes sempre ajudaram a compor uma realidade mais harmônica e feliz.

E, com o passar do tempo, as máquinas digitais tão modernas, sem necessidade de filmes fotográficos, ampliaram o limite de capturas e truques para se garantir no carão. Além de todos os artifícios já conhecidos, ganhamos a possibilidade de editar nossas imagens sentados em casa na frente do computador, tomando suco e assistindo Sônia Abrão...

Em poucos cliques começamos a diminuir as nossas narinas, tirar a espinha amarela no meio da testa e apagar a dobrinha da barriga. Claro que não nos esquecemos do sol, forjamos calor em dias nublados adicionando raios solares em qualquer estação. 

E descobrimos que para bombar no Instagram é preciso escolher um bom filtro que clareie a pele. E nada de descarregar sua câmera sem antes passar pela mágica da transformação.

É lei: foto sem sorriso espontâneo forjado não é digna de elogios e curtidas na internet!

Ninguém pode nos culpar por buscarmos a perfeição. A vida sem filtros é totalmente fora do padrão!

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