1 de jun de 2015

Deus escondido

Algumas [muitas] vezes deitei chorando, pedindo um sinal, implorando atenção para esse ser que tudo vê, mas que, por algum motivo, parecia não me enxergar.

Gritar já não adiantava mais. Pedia baixinho e em pensamento. 

Recebia conselhos de muitas pessoas, e todas me falavam do seu amor por mim. E eu, cego pela mágoa e desespero, não conseguia sentir nadinha além da dor. 

Criava teorias que justificassem ser ignorado. Nenhuma fazia sentido, continuei por dias sem entender.

Uma noite decidi que não pediria mais nada, me conformaria com o caos e seguiria com todas as perguntas sem respostas e sem nenhum socorro especial. Caí no sono e... não sei bem como explicar, mas me senti abraçado, envolvido por algo que nunca tinha experimentado. Parecia amor, mas era melhor. 

Acordei confuso, mas feliz. Foi sonho? Talvez sim, talvez não.

Passados alguns dias, no meio de uma conversa qualquer com minha mãe, ganhei um abraço. Mas não foi qualquer abraço, foi aquele abraço. Fiquei arrepiado, mas silenciei.

Depois de dias sem fazer qualquer pedido aos céus, precisei quebrar o jejum e fui logo pedindo para que Deus me deixasse durante a minha vida sentir outras muitas vezes o abraço da minha mãe. E foi no meio do pedido que percebi que Deus não aparece no quarto, não enxuga suas lágrimas e nem resolve o nosso drama pessoal em um estalo de dedos. Ele é um pouco de tudo o que nos alivia, como um abraço de mãe.

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